Decidido que estava qual o proximo destino, havia que acordar cedo para chegar rapidamente ao terminar rodoviario de El Calafate a fim de nao desperdicar a oprtunidade de comprar os bilhetes de autocarro, caso ainda houvesse. E a sorte esteve do nosso lado desta vez. Saimos de El Calafate em direccao a Rio Gallegos as 13h00 ja com os bilhetes Rio Gallegos-Puerto Madryn na mao. Nem sequer tinhamos de esperar muito tempo em Gallegos - como os argentinos dizem - pois passada hora e meia de chagarmos ja era hora de embarcar para mais 18 horas de viagem ate Puerto Madryn. E assim foi: 4h30 ate Gallegos e depois mais 18h00 ate Puerto Madryn. Adivinhava-se enjoo certo de autocarro! Tal e qual.
Rio Gallegos pareceu-me uma cidade feia, suja, cinzenta, provavelmente muito induistrial e cheia de gente com ar pouco amigavel. A propria rodoviaria - que e importante - e uma sombra daquilo que pensava, chegando a ser surreal: paredes imundas, tecto baixo, um pequeno cubiculo, alguns lugares ainda com o tijolo e o cimento a vista, com gente a dormir pelos cantos no lugar onde dezenas de caes se passeam. La fora, a cidade: apenas uma continuacao do ambiente vivido dentro da rodoviaria, com ruas mal arranjadas, casas por pintar, telhados de zinco a baterem ao vento seguros por antenas de televisao dispostas na diagonal, um clima cinzento e feio a condizer com o lixo do chao e a lama dos passeios. Definitivamente, nao me cativou em nada. Provavelmente a cidade ate tem partes mais interessantes, mas aquilo que vi naquela hora e meia, sinceramente, nao me deixou bem impressionado. Felizmente, essa hora e meia passou rapidamente e la embarcamos noutro autocarro da Andesmar a caminho de Puerto Madryn. Um autocarro fantastico, de dois pisos, com DVD e tudo, mas que ao fim de algumas horas parecia uma camisa de forcas que nos apertava: afinal 18 horas de viagem, depois de fazer mais cinco, nao sao agradaveis a nenhum dos mortais. A noite foi passada no autocarro, acordando de hora a hora com as luzes que se acendiam cada vez que o autocarro parava.
Finalmente, chegavamos a Madryn, como e chamada. Puerto Madryn, por seu turno, e o contrario de Rio Gallegos: cidade limpa, pacata, clara, a beira do Atlantico sul, com "cheiro a lavado".

E assim saimos da rodoviaria, procurando local onde nos hospedar. Os campings estavam postos de parte, pois a diferenca de preco que o "superguia" indicava nao nos parecia que justificasse a diferenca de qualidade. E chegados ao Hostel que tinhamos como destino, batemos com o nariz na porta: estava encerrado. Todas as janelas fechadas, a campainha arrancada, o portao trancado, o jardim com ar de abandono... deecididamente ali nao ficariamos. Mas ainda assim, e fazendo-nos parecer que nem as pessoas de Madryn tem a ver com as de Gallegos, os vizinhos do (ex-)Hostel, numa conversa de ocasiao em que perguntavamos se sabiam alguma coisa do que se passava com a casa com a qual habitavam paredes-meias, disseram-nos para perguntarmos uns 100 m mais a frente por aluguer de quartos. De forma ceptica fomos caminhando pelo passeio enquanto contemplavamos o agradavel dia de sol e a simpatica atmosfera que a cidade transmitia. Chegados a tal porta de esquina com o numero 99, mais desiludido fiquei porque aquilo era... uma casa residencial normal, sem nenhum ar de pousada nem hotel. Mesmo assim, nao iriamos embora sem tocar a campainha e perguntar informacoes. Um casal de senhores de meia idade abriram a porta, perguntando de imediato: "¡Que aciento! ¿Vosotros son españoles?". La dissemos que eramos da terra do Eusebio e do Benfica e entao obtivemos a explicacao a repentina pergunta: os senhores tem um filho a viver em Barcelona e nao ha estrangeiro com sotaque diferente do castelhano sul-americano que nao "leve" com a pergunta. Falando do que ineterssa, tinham quartos sim senhor, e com um preco bem simpatico. Nao dentro de sua propria casa, mas sim uns quartos (T1, diria eu...) no mesmo edificio da sua casa com porta para a rua. Com uma magnifica limpeza, espaco para dormirem 4 pessoas, casa de banho excepcionalmente limpa, cozinha equipada, um ambiente fantastico e ate televisao! Obviamente, e sem ver mais nada, ficamos.
Tratar de perguntar como se poderia visitar a Peninsula Valdes, quais os animais que se poderiam avistar nesta epoca e alugar um carro para que no dia seguinte pudessemos percorrer as redondezas com uma maior flexibilidade de horarios e destinos.

E aperceber-me mais uma vez que os argentinos convivem menos bem com o facto de serem um pais pouco desenvolvido e terem baixo poder de compra do que os brasileiros. Afinal, este povo esta habituado a, ate ha bem pouco tempo, viver na ilusao da prosperidade economica do pais e a que um dos seus pesos valessem o mesmo do que um dolar norteamericano...
Por fim dormir, para que amanha os 450 km de ripio nao custem muito a percorrer no Gol que alugamos.