Benvindos

Terça-feira, Maio 10, 2005

La Isla Bonita

A noite passada sonhei com São Pedro
Como se nunca tivesse partido, conhecia a canção
Um jovem garota com olhos como o deserto
Parece que foi ontem e não tão longe

Tropical, a brisa da ilha
Toda a natureza selvagem e livre
Este é o lugar onde eu gostaria de estar
La Isla Bonita(a Ilha bonita)
E quando o samba tocava
O sol se punha lá no alto
Ecoando por meus ouvidos e queimando meus olhos
Sua Melodia espanhola de ninar

Eu me apaixonei por São Pedro
O vento quente levava junto o mar
Ele me chamava, te disse te amo
Eu rezei para que aqueles dias fossem para sempre
Eles se foram tão rápido

Eu quero estar onde o sol aquece o céu
Quando é hora da siesta
Dá para vê-las passando
Rostos bonitos, nenhuma preocupação neste mundo
Onde uma garota ama um garoto
E um garoto ama uma garota

A noite passada sonhei com São Pedro
Parece que foi ontem e não muito distante




La Isla Bonita, Madonna

A vida...

Muitos meses passados para quem vê de cá e tão pocos para quem vê daí, começa-se a olhar para trás. Somos assim mesmo, com a tendência de olhar para trás e ver o que se tinha feito logo assim que passamos da barreira da metade. E a cerca de dois meses da despedida de Floripa acontecer olhamos para trás e vemos a forma como se mergulhou numa possa de água vista daí e num oceano visto daqui: a vida da Lagoa. E com a força de quem mergulha, esqueceu-se a efemeridade e apaixonámo-nos por este lugar, vivemos esta vida forte e partilhámos os nossos momentos. As noites e os dias que se sucederam tornaram-se demasiado marcantes, demasiado para para nos lembrarmos o quão fugaz é esta nossa passagem por aqui. A despedida do Menel, até mesmo o encerramento do João Laranja, e agora a despedida do Luiz foram as primeiras de uma série de emoções fortes de nostalgia, como que a preparar-nos para o que havemos de sentir após Julho...
O Luiz foi-se embora. Foi para o Rio Grande do Sul, ter com a sua família. «Aquele abraço», grande Luiz, amigo de todos os momentos! "Valeu"... e que a estrela da sorte que protege os audazes nos guie, pois contigo a audácia e a ousadia estão do lado da coragem e de um querer sem fim!

«[...]Há gente que fica na história da gente
E outras a quem nem o nome lembramos ouvir[...]»

Terça-feira, Maio 03, 2005

Foi exactamente assim...

El fin muy cerca esta
lo afrontaré serenamente
ya ves yo he sido así
te lo diré sinceramente
viví la intensidad
y no encontré jamás fronteras
si bien todo ello fue
a mi manera

Jamás tuve un amor
que para mí fuera importante
logré sólo la flor
y lo mejor de cada instante
viajé y disfruté
no se si más que otro cualquiera
y así logré seguir
a mi manera

Tal vez lloré, tal vez reí
tal vez gané o tal vez perdí
y ahora sé que fui feliz
que si lloré también amé
y todo fue puedo decir
a mi manera

Quizás yo desprecié
aquello que no comprendía
quizás también dudé
cuando mejor me divertía
y hoy se que firme fui
y que afronté ser cómo era
y así logré seguir
a mi manera

Porque sabrás que un hombre al fin
conocerás por su vivir
no hay porque hablar, ni que decir
ni hay que llorar, ni hay que fingir
puedo llegar hasta el final
a mi manera


Jacques Revaux

Sexta-feira, Março 18, 2005

Dia 21-22: A despedida de Buenos Aires

Cheguei a Buenos Aires completamente cansado. Estas 18 horas de autocarro custaram demasiado a passar.
Era altura de fazer os já habituais rituais de chegada: procurar pousada e instalar-nos. Com a diferença de que já conhecia alguma coisa de Buenos Aires, resolvi não voltar ao V&S Hostel mas ir para outro que lhe ficava vizinho: El Cachafaz Youth Hostel. Tinhamos boas referências e o ambiente era mais alternativo. Foi uma mistura entre escolher um ambiente mais “backpacker” para absorver pela última vez essa sensação e por outro lado apenas apostar na diversidade.
O cansaço era imenso mas queria aproveitar a tarde em Buenos Aires para visitar mais alguma coisa. Resovemos ir ao Museu de História Nacional, que fica em San Telmo pois o Teatro Colón estava fechado Sábado à tarde. Revelou-se bastante interessante e deu-me uma visão mais clara do emaranhado de ideias soltas que tinha da história da Argentina.


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Só que o cansaço era mesmo imenso e confesso que a última parte do museu foi vista com uma única ideia em mente: «Atingi o limite. Preciso, urgentemente, de descansar». Apanhámos o “colectivo” 29, passámos uma última vez pela agitação carregada de magníficos antiquários de San Telmo e regressamos à pousada para dormir um pouco. Soube muitíssimo bem e a notícia de que o “meu” Benfica estava à frente do campeonato contribuiu para a boa disposição ao acordar. Um jantar no Ugi’s Pizzas – onde se come um grande quarto de pizza por apenas 0,90 pesos argentinos o que equivale aproximadamente a 25 cêntimos de euro – e quis o destino que mandássemos o cansaço para trás das costas: fomos até à Recoleta. E voltei a sentir o que Buenos Aires tinha de especial: parece tirado de um filme aquele bairro, onde as senhoras passeiam os seus cuidados cães enqunto conversam junto aos jardins muito bem tratados, toda a gente desfila a sua forma europeia de vestir e de estar, tudo carregadíssimo de um charme que faz a diferença para qualquer outra cidade sul-americana. E nisso os brasileiros têm muita razão ao dizerem que «os argentinos sabem manter as aparências». É exactamente isso que se sente: digno dos melhores e mais “chiques” bairros de Paris, a Recoleta é um autêntico desfile de bom gosto, de classe e de alguma ostentação à mistura. Ninguém diria que estamos na América do Sul quanto mais num país que atravessa a crise que a Argentina atravessa! Por ali ficámos até que nos restassem muito poucas horas de sono – haveríamos agora, no final, de habituar-nos a dormir muito? Nah...
O dia seguinte resume-se a um mais do que sofrido acordar e a uma viagem até ao aeroporto internacional Ezeiza e ao embarque com direcção a Florianópolis de regresso a casa. Isto é o que se pode expressar por palavras, porque aquilo “que fica” é imensamente grande...

Terça-feira, Março 15, 2005

Dia 20: O embarque para Buenos Aires

Descansados da vida, acordavamos no simpatico espaço que tinhamos alugado, sem pressa nenhuma porque o autocarro que nos levaria até Buenos Aires de volta era apenas às 18h00. Deu para dormir muito e bem e quando o telefone tocou devido a um lembrete a avisar que tinhamos uma viagem para Benos Aires era meio-dia. Deu para nos rirmos e tudo com a situação: obviamente que sabíamos que hoje era o dia da viagem para Buenos Aires. Com a importância que ela tinha - o voo para Floripa estava já marcado - como nos poedríamos esquecer?
Tranquilamente, entregamos o espaço ao simpático casal que nos fizeram o favor de guardar as mochilas enquanto provávamos os frutos do mar de Madryn e comprávamos um (mini-)souvenir de Puerto Madryn ou da Patagónia. Era a despedida daquele lugar magnífico e ainda pouco explorado e havia que fazê-lo com calma e aproveitando cada momento. Além disso não havia motivo para pressa.
Surpresa aconteceu quando chegámos à rodoviária quando falei para o senhor que estava atrás do guichet:

- "De donde sale el colectivo de las 18h00 hasta Buenos Aires?"
- "No, de las 21h00!"
- "No, busco lo de las 18h00"
- "No hay colectivo a las 18h00. Si, lo hay, pero a las 21h00"

Confuso com a situação, puxamos dos bilhetes e demos de caras com aquilo que menos queríamos: o autocarro já tinha saído, às 13h08. Como era possível tremenda irresponsabilidade? E agora como vamos fazer para estar a horas de apanhar o avião em Buenos Aires? E porque não verificamos antes os bilhetes?
Estas eram as perguntas que me fazia a mim mesmo quando o senhor me negava a existência de lugares vagos até... Segunda-Feira - estavamos a uma Sexta-Feira e Segunda-Feira era exactamente o dia em que decorreriam as matrículas na UFSC...
O stress apoderou-se de nós e só quando chegamos ao balcão da Condor e reservámos os últimos dois bilhetes para o autocarro que saía às 18h15 acalmámos mais um pouco. nenhum de nós tinha tido a mínima dúvida de que o autocarro era as 18h00 e a verdade é que acabavamos de tê-lo perdido porque nem sequer reparámos que saía, efectivamente, às 13h08!
Partimos para Buenos Aires, para uma viagem que durou aproximadamente 18 horas e que nos deixou muito contentes: afinal estar ali era uma sorte e o facto de chegarmos a Buenos Aires a tempo e horas de apanhar o voo para Floripa tinha sido uma sorte. A consciência não nos permitia queixar da monotonia da viagem nem do tédio de estar 18 horas sem fazer... absolutamente nada!
Às 7h00 acordei no banco do autocarro e olhei para o lado. Não queria acreditar: o amanhecer, com as cores fortes e especiais da Patagónia estava a acontecer ali mesmo e não perdi tempo para me colar ao vidro do autocarro completamente devastado pela beleza do que via e pela nostalgia que me invadia. Afinal, era apenas um amanhecer na Patagónia...


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Dia 18-19: Peninsula Valdes e Punta Tombo

Tinhamos combinado acordar muito cedo. Era obrigatório (pensavamos nós), pois quando nos informamos dos horários de saída dos autocarros que faziam o "tour" programado à Peninsula Valdes percebemos que não poderíamos dormir até tarde: os autocarros saíam, por noema, às 7h30 e só regressavam já ao pôr-do-sol. Adivinhava-se um dia longo e por isso resolvemos acordar logo às 6h30, pois não conhecíamos as estradas, teríamos de andar muitos quilómetros em cima de rípio e, sobretudo, queríamos aproveitar o passeio da forma mais calma, tranquila e ralaxada possível.
O itenerário, segundo nos disseram na véspera, não tinha grandes possibilidades de "fuga" aos moldes usuais, o que implicava desde o início a consciencialização de que nos haveríamos de cruzar com várias "pragas" de turistas. E então, pouco depois do amanhecer, arrancámos em direcção a Puerto Piramides no carro que tinhamos alugado. Puerto Piramides é uma aldeia com cerca de 100 habitantes (e uma bomba de gasolina, única em toda a peninsula) que fica já na Peninsula Valdés e que marca o final do asfalto e o início do rípio, bem como o início da visita aquele santuário ecológico. Mas se para a maior parte das pessoas, como disse, Puerto Piramide marca o fim do rípio, connosco as coisas foram diferentes. À saída de Puerto Madryn enganámo-nos logo no caminho e então fizemos apenas 20 dos 100 km em asfalto. Valeu a vista, e mais uma vez as cores: os tons de azul do mar misturavam-se de uma maneira linda com o degradée do céu.


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Chegados a Puerto Piramides e depois de pagarmos o ingresso na península, percorremos cerca de 250 km de rípio, numa trajectória aproximadamente circular no sentido horário desde Punta Norte até voltarmos de novo a Puerto Piramides. Sabiamos que não vinhamos na melhor altura para avistar a fauna local, pois as baleias há muito que já tinham migrado, não era a melhor altura para ver orcas e dos milhões de pinguins que habitam a península restava apenas uma parte que, pensávamos nós, seria mais do que suficiente para darmos por bem empregue a volta. E de facto, quando chegámos a Punta Norte (como o nome indica, a ponta norte da península) ficámos maravilhados com o que encontramos: a escassos metros de nós uma enorme colónia de lobos marinhos de um pêlo (também chamados leões marinhos) com as suas crias numa paisagem perfeitamente deslumbrante. Era possível ver as crias dando os primeiros mergulhos e o sol matinal de frente - tínhamos o Atlântico à nossa frente - davam à paisagem um ar bíblico digo de qualquer National Geographic.


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Percebemos aqui porque este é o lugar do Mundo onde a avistagem de fauna marinha é mais conhecida. E enquanto contemplavamos o magnífico espectáculo da disputa de uma fêmea por vários machos de lobos marinhos, notou-se a concentração de muitas pessoas num local que permitia avistar a praia de uma perspectiva superior. Acercámo-nos e vimos o que se passava: uma orca aproximava-se da costa e preparava-se para caçar à boa maneira das orcas assassinas um lobo marinho. Contudo, a sorte não nos acompanhou e não tivemos oportunidade de ver mais a orca, pois a maré estava a descer e, quando assim é, não arriscam ir até à areia em busca de alimento pois os animais já se encontram mais longe da costa. Foi pena não termos chegado algumas horas antes...


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Dali percorremos o resto do percurso na busca de encontrar "visuais" da mesma qualidade do que aquele, mas de facto, essa tentativa saiu frustrada. A sul de Punta Norte vê-se uma colónia de pinguins que estava quase despovoada nesta altura do ano e pouco mais. Paisagens lindas, cores indescritíveis, mas a avistagem de animais não foi excepcional. Valeu pelos lobos marinhos e pela orca. Regressamos a casa bem cedo (a meio da tarde) e percebemos que todo aquele esforço para acordar cedo tinha sido despropositado. Assim sendo, aproveitamos para efectuar essa "correcção".
No dia seguinte fomos a Punta Tombo: a maior colónia de pinguins exceptuando o território gelado da Antartida. Já com expectativas inferiores por sabermos que não estavamos na melhor época para observar pinguins, saímos mais tarde de Puerto Madryn do que no dia anterior aquela que é a casa de mais de um milhão de pinguins nos meses de Novembro e Dezembro. Mais uma vez, a sorte não esteve do nosso lado: além da informação que já tinhamos de que aquela época era apenas razoável para aquilo que procurávamos, soubemos também que os pinguins partem para o mar 5 a 6 dias em busca de comida, período após o qual regressam a terra. E, de facto, os 5 ou 6 dias estavam mesmo a meio e então ainda menos pinguins iríamos ver. Mesmo assim gostei imenso de ver a "pinguinera" e contemplar o ambiente de perfeito respeito pela Natureza que ali se vive.


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De regresso a Madryn, passamos em Trelew para visitar o MEF: um museu de antropologia que retrata a história da Terra desde o Big-Bang até aos dias de hoje prestando especial atenção à evolução do território que hoje é a Patagónia. Trelew é uma pequena cidade pela qual já tinhamos passado um par de vezes (uma de Rio Gallegos para Puerto Madryn e outra na véspera a caminho de Punta Tombo. O museu, é o ex-libris da cidade e um dos mais conhecidos de toda a Patagónia. Foi interessante o passeio, o que aprendi acerca da evoluçao das espécies que há dias tinha visto e o espírito tranquio e descansado com que o final de tarde se passou..

Segunda-feira, Março 07, 2005

Dia 16-17: Viagem ate Puerto Madryn

Decidido que estava qual o proximo destino, havia que acordar cedo para chegar rapidamente ao terminar rodoviario de El Calafate a fim de nao desperdicar a oprtunidade de comprar os bilhetes de autocarro, caso ainda houvesse. E a sorte esteve do nosso lado desta vez. Saimos de El Calafate em direccao a Rio Gallegos as 13h00 ja com os bilhetes Rio Gallegos-Puerto Madryn na mao. Nem sequer tinhamos de esperar muito tempo em Gallegos - como os argentinos dizem - pois passada hora e meia de chagarmos ja era hora de embarcar para mais 18 horas de viagem ate Puerto Madryn. E assim foi: 4h30 ate Gallegos e depois mais 18h00 ate Puerto Madryn. Adivinhava-se enjoo certo de autocarro! Tal e qual.
Rio Gallegos pareceu-me uma cidade feia, suja, cinzenta, provavelmente muito induistrial e cheia de gente com ar pouco amigavel. A propria rodoviaria - que e importante - e uma sombra daquilo que pensava, chegando a ser surreal: paredes imundas, tecto baixo, um pequeno cubiculo, alguns lugares ainda com o tijolo e o cimento a vista, com gente a dormir pelos cantos no lugar onde dezenas de caes se passeam. La fora, a cidade: apenas uma continuacao do ambiente vivido dentro da rodoviaria, com ruas mal arranjadas, casas por pintar, telhados de zinco a baterem ao vento seguros por antenas de televisao dispostas na diagonal, um clima cinzento e feio a condizer com o lixo do chao e a lama dos passeios. Definitivamente, nao me cativou em nada. Provavelmente a cidade ate tem partes mais interessantes, mas aquilo que vi naquela hora e meia, sinceramente, nao me deixou bem impressionado. Felizmente, essa hora e meia passou rapidamente e la embarcamos noutro autocarro da Andesmar a caminho de Puerto Madryn. Um autocarro fantastico, de dois pisos, com DVD e tudo, mas que ao fim de algumas horas parecia uma camisa de forcas que nos apertava: afinal 18 horas de viagem, depois de fazer mais cinco, nao sao agradaveis a nenhum dos mortais. A noite foi passada no autocarro, acordando de hora a hora com as luzes que se acendiam cada vez que o autocarro parava.
Finalmente, chegavamos a Madryn, como e chamada. Puerto Madryn, por seu turno, e o contrario de Rio Gallegos: cidade limpa, pacata, clara, a beira do Atlantico sul, com "cheiro a lavado".


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E assim saimos da rodoviaria, procurando local onde nos hospedar. Os campings estavam postos de parte, pois a diferenca de preco que o "superguia" indicava nao nos parecia que justificasse a diferenca de qualidade. E chegados ao Hostel que tinhamos como destino, batemos com o nariz na porta: estava encerrado. Todas as janelas fechadas, a campainha arrancada, o portao trancado, o jardim com ar de abandono... deecididamente ali nao ficariamos. Mas ainda assim, e fazendo-nos parecer que nem as pessoas de Madryn tem a ver com as de Gallegos, os vizinhos do (ex-)Hostel, numa conversa de ocasiao em que perguntavamos se sabiam alguma coisa do que se passava com a casa com a qual habitavam paredes-meias, disseram-nos para perguntarmos uns 100 m mais a frente por aluguer de quartos. De forma ceptica fomos caminhando pelo passeio enquanto contemplavamos o agradavel dia de sol e a simpatica atmosfera que a cidade transmitia. Chegados a tal porta de esquina com o numero 99, mais desiludido fiquei porque aquilo era... uma casa residencial normal, sem nenhum ar de pousada nem hotel. Mesmo assim, nao iriamos embora sem tocar a campainha e perguntar informacoes. Um casal de senhores de meia idade abriram a porta, perguntando de imediato: "¡Que aciento! ¿Vosotros son españoles?". La dissemos que eramos da terra do Eusebio e do Benfica e entao obtivemos a explicacao a repentina pergunta: os senhores tem um filho a viver em Barcelona e nao ha estrangeiro com sotaque diferente do castelhano sul-americano que nao "leve" com a pergunta. Falando do que ineterssa, tinham quartos sim senhor, e com um preco bem simpatico. Nao dentro de sua propria casa, mas sim uns quartos (T1, diria eu...) no mesmo edificio da sua casa com porta para a rua. Com uma magnifica limpeza, espaco para dormirem 4 pessoas, casa de banho excepcionalmente limpa, cozinha equipada, um ambiente fantastico e ate televisao! Obviamente, e sem ver mais nada, ficamos.
Tratar de perguntar como se poderia visitar a Peninsula Valdes, quais os animais que se poderiam avistar nesta epoca e alugar um carro para que no dia seguinte pudessemos percorrer as redondezas com uma maior flexibilidade de horarios e destinos.


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E aperceber-me mais uma vez que os argentinos convivem menos bem com o facto de serem um pais pouco desenvolvido e terem baixo poder de compra do que os brasileiros. Afinal, este povo esta habituado a, ate ha bem pouco tempo, viver na ilusao da prosperidade economica do pais e a que um dos seus pesos valessem o mesmo do que um dolar norteamericano...
Por fim dormir, para que amanha os 450 km de ripio nao custem muito a percorrer no Gol que alugamos.

Dia 15: Descanso e o regresso a El Calafate

O Check-out da pousada teria de ser feito ate as 10h00 enquanto que o autocarro so partiria as 18h00. O dia estava pessimo e por isso perfeito para, finalmente, dar algum merecido descanso ao corpo. Felizmente, apesar de termos de deixar as mochilas na cozinha da pousada bem cedo, pudemos dormir uma prolongada sesta ate que o autocarro chegasse depois de cozinharmos o almoco e aliviarmos mais algum peso que transportavamos as costas - tinhamos comprado demasiada comida enlatada antes de virmos para El Chalten, nao so pelo peso como tambem pelo sabor que deixava muito a desejar. Ainda assim, quando misturado com polpa de tomate e uma qualquer massa, mereceu o nome de "tragavel".
Despertados da longa sesta, comecamos a pensar seriamente em decidir qual seria o nosso destino a partir de El Calafate.


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O regressi a El Calafate era obrigatorio, pois esta localidade, visto ter aeroporto e uma importancia infinitamente maior do que El Chalten na rede de transportes argentinos, era aquela que, sendo mais proxima dali do que qualquer outram serviria de ponto de partida para qualquer outro lugar.
Despedi-me do Hostel Arco-Iris e dos israelitas que tinhamos encontrado na vespera (e indescritivel a quantidade de israelitas que ja encontrei, pois e comum viajarem por um ano pos cumprirem o servico militar obrigatorio de 3 anos), nao sem antes ter participado numa comica cena: um japones, recem chegado a pousada, esforcava-se heroicamente para soletrar o seu miseravel ingles a senhora da recepcao, que falava unicamente espanhol com pronunciado sotaque sul-americano. Ao me aperceber daquela caricata cena, nao deixei de soltar uma gargalhada (nao me contive...) e passei a ser o tradutor e intermediario da conversa entre os dois:

- "¿Cuantas noches se va a quedar el?"
- "How many nights are you going to stay?"
- "Two!"
- "¡Dos!" ... e por ai adiante...

Um fartote de rir! Nao so pela situacao, mas pela forma como olhavam um para o outro enquanto falavam linguas diferentes: como quem olha para um ser estranho e raro! So visto...
Quase sozinhos no autocarro que nos levou de volta a El Calafate pela Ruta 40, viagem que durou aproximadamente 6 horas para percorrer os cerca de 200 km de ripio (imaginem a velocidade e o estado da estrada...), a pergunta que haviamos feito anteriormente continuava sem resposta: de El Calafate, para onde vamos? Era ponto assente que dia 12 tinhamos obrigatoriamente de estar em Buenos Aires. Mendoza era o destino desejado, ja que Torres del Paine nao representaria uma mudanca de ares nem sabiamos ao certo o estado do parque apos o incendio. E assim tentamos ligar para o numero de reservas 24 horas da Aerolineas Argentinas. Pessimas noticias: para Mendoza todos os voos estavam esgotados e mesmo para Buenos Aires os lugares ja comecavam a escassear. Na rodoviaria, por sua vez, de entre os escritorios abertos as 2h00, verificamos que o tempo de viagem de autocarro tornava a a estadia em Mendoza reduzida a um ou dois dias enquanto que os autocarros para Puerto Natales (cidade "apoio" ao Parque Torres del Paine) estavam ha muito esgotados. Surgiu assim outra ideia: Bariloche. Era interessante, mas teriamos de sair de El Calafate ja com o coo Bariloche - Buenos Aires reservado para evitar surpresas desagradaveis. Alem disso, teriamos de apanhar autocarro em Rio Gallegos, saindo de El Calafate sem a reserva feita - muitissimo arriscado. Restava a hipotese de ficarmos uns dias em El Calafate e irmos mais cedo para Buenos Aires, mas uma pesquisa no "superguia" sugeriu repentinamente um novo destino: Puerto Madryn. A cidade que serve de ponto de partida para as visitas a Peninsula Valdes - um santuario ecologico no Atlantico Sul, onde existem colonias de pinguins, leoes e lobos marinhos e, com alguma sorte ha a possibilidade de serem avistadas orcas e baleias fica a meio caminho de Buenos Aires e nao traria complicacoes de maior em termos de transporte, pois desta forma chegariamos ate Buenos Aires sempre de autocarro.
Fomos entao descansar durante as pouquissimas horas qyue nos restavam ate as 9h00 no Hostel Huemul para irmos ao terminal dos autocarros tentar comprar bilhetes via Rio Gallegos para o nosso proximo destino: Puerto Madryn.

Dia 14: El Chalten e a tentativa de chegar a Laguna de Los Tres

O dia amanheceu apenas com a luz que as muitas nuvens deixavam passar. Nao havia comparacao possivel com o dia anterior: alias, o tempo hoje era apenas a continuacao da forma como ontem o dia terminou. Finalmente percebi a sorte que tinha tido no dia anterior, ja que El Chalten e bem conhecido pelo vento que aqui se faz sentir, nao sendo incomuns rajadas acima dos 100 km/h. Para piorar a situacao, as pernas doiam em protesto pelo esforco do dia anterior. Mas ainda assim la saimos para a trilha que tinhamos planeado fazer hoje e que culminaria com a chegada a Laguna de Los Tres, um importante mirador do Fitz Roy - o ultimo, ja que a partir dali a progressao so poderia ser feita com conhecimentos de escalada em rocha bem como bastante tempo para poder voltar ate ao acampamento que fica a apenas uma (ingreme) hora da Laguna de Los Tres (o acampamento Poincenot, que deve o seu nome ao macico que ombreia com o Fitz Roy ou mesmo ao acampamento Rio Blanco, destinado exclusivamente a alpinistas). Como nao estavamos acampados no parque (excelente opcao que tomamos, pois com a tenda que temos e o tempo como estava haveriamos de "sofrer a seria") nem temos conhecimentos de escalada restava-nos definir como objectivo atingir o mirador da lagoa e voltar a El Chalten.
Iniciamos a trilha bastante cansados do esforco da vespera, mas as magnificas paisagens panoramicas de El Chalten e do rio Fitz Roy que se nos deparavam a cada passo da subida inicial faziam-nos esquecer por momentos que o dia de ontem foi extremamente cansativo e desgastante.


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Com o passar do tempo e o afastamento de El Chalten, fui notando que, comparativamente com as trilhas que tinha feito no Parque Nacional Tierra del Fuego e mesmo com a trilha do dia anterior, esta estava demasiado modelada pelo Homem, o que lhe conferia mais um estatuto de caminho ate aos acampamentos base Poincenot e Rio Blanco para quem ousasse escalar o Fitz Roy (3375 m) do auq trilha de trekking puro. Quando chegamos aos acampamentos verificamos tambem que a zona estava de tal forma "pisada" que havia varias trilhas, partindo cada uma em sua direccao, deixando-nos totalmente perdidos em relacao ao caminho a seguir ate a Laguna de Los Tres. E tentamos seguir junto ao rio e em direccao aos dois gigantes qye dominavam o horizontequando as nuvens o permitiam, mas algum tempo a frente verificamos que aquele nao era o caminho certo. Cruzamo-nos com um grupo de israelitas - mais um... - que estavam com a mesma duvida que nos e nem pensando em conjunto conseguimos desvendar qual o caminho que nos guiaria ate ao miradouro. Com o avancar das horas tomamos a dificil decisao de desistir e regressar a El Chalten - nao tinhamos tempo para subir ate ao miradouro, descer e regressar a "casa" ainda de dia.


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Com um certo sentimento de frustracao percorri os mais de 10 km que nos separavam da pousada e tratei do regresso a El Calafate sem saber ainda ao certo para onde ia a partir dali. Sabia, isso sim, que quase 50 km percorridos em dois dias tinham deixado marcas...

Sexta-feira, Março 04, 2005

Dia 13: Trekking, Ice-trekking e esacalada no gelo

Mas que dia! Tinhamos combinado encontrar-nos o Gualter, guia que nos iria levar para uma jornada inesquecivel, as 7h00 em frente ao escritorio da Patagonia Mountaineering. Por isso o despertar foi novamente as 6h00, antes ainda do dia nascer porque o ponto de encontro com o guia ainda ficava a uns 10 minutos a pe da nossa pousada. Ao sair de casa deparo-me com um dia que prometia magnifico: a Nascente as poucas nuvens estavam coloridas de um laranja muito forte e giro o olhar pelo ceu, ao chegar a Poente... Uau! O Fitz Roy e o Cierro Torre estavam laranja! Inacrediavel como o Sol, acabado de nascer, batia no topo dos dois macicos de rocha e os deixava completamente cor-de-laranja! Igual a imagem que ja tinha visto em postais e que pensava, era propria de postais!


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Feita a mochila e arranjado todo o equipamento necessario para a actividade, partimos com o Gualter, guia de alta montanha, extremamente simpatico, conhecedor profundo dos segredos da montanha, escalador eximio e com conhecimentos basicos de geologia, para os 10 kms que nos separavam da corda tirolesa que teriamos de cruzar para atravessar o rio Fitz Roy (o mesmo nome do cerro) a um ritmo bem rapido sem que, no entanto, tivessemos deixado para tras paisagens magnificas sem a foto do costume. O dia estava magnifico e o astral era o melhor possivel. Chegamos a tirolesa, la enfiei o boudrier e passei o rio suspenso. Nada de extremamene emocionante, mas ja permitiu ver a montanha de cabeca para baixo e ver-nos correr um rio por tras das costas a menos de 5 metros deu para fazer subir um pouco a adrenalina.


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Chegados ao glaciar, e depois de uma descida muito ingreme devido ao desvio que e necessario fazer para nao percorrer as margens do rio devido ao perigo de desprendimentos de pedras e de uma pequena aula de geologia, puzemos os crampons nos pes e aprendemos a caminhar sobre o gelo. Nao e muito dificil, mas tem que se pensar cada passo que se da - pelo menos ao inicio - pois nao se devem aproximar os pes um do outro e deve apoiar-se toda a base do pe ao mesmo tempo. Daqui parte a seguranca do trekking no gelo, pois atravessam-se covas gigantescas quando se caminha por cima do glaciar e um tropecao ali por perto nao deve ser a coisa mais agradavel de acontecer. E pouco a pouco fomos caminhando numa superficie que fazia lembrar a lua e com uma paisagem inacreditavel!


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Os tons de azul do glaciar ali mesmo ao pe, as covas azuis por baixo de nos, a imensidao do glaciar tornou esta experiencia em algo completamente inesquecivel e para a qual, sinceramente, me faltam palavras para a descrever. Familiarizados com a tecnica essencial do ice-trekking, o guia propos-nos algo mais emocionante: uma aula de iniciacao a escalada no gelo! Meia hora procurando uma parede que lhe pareceu adequada foi suficiente para que encontrassemos um lugar de invulgar e indescritivel beleza: era ali, bem dentro de uma cova do glaciar, nas paredes azuis que iriamos escalar. Aprendemos a usar os piolets e a tecnica essencial de cravar os crampons bem como a forma de descer ate que experimentei a escalar uma primeira parede. Magnifico! A sensacao de estar num dos lugares mais fascinantes que alguma vez consegui imaginar, a ter descargas de adrenalina brutais enquanto decidia qual haveria de ser o meu percurso ate atingir o mosquetao do topo da parede e espreitar por cima de toda aquela imensidao de tons de azul foi uma experiencia que jamais irei esquecer! Passadas duas horas de escalada e de termos mudado para uma parede mais dificil e mais bonita ainda, foi altura do meu corpo sucumbir ao cansaco e nao me permitir mais disfrutar da experiencia.


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Estava realmente exausto - nao conseguia sequer segurar o piolet (500 g) na mao esquerda fechando os dedos - e tinhamos de percorrer ainda uma subida muito grande e desgastante lateral ao glaciar, 2 kms ate a tirolesa, passar o rio suspensos e depois... so mais 10 kms! Nao vale a pena dizer qual foi o estado em que cheguei a El Chalten, apenas refiro que fiz mais de 25 kms a andar, andei cerca de 4 horas com crampons nos pes e fiz mais de 2 horas de escalada em gelo - tendo em conta que um iniciado faz muito mais forca do que alugem experiente...


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Dia 12: De El Calafate para El chalten

O dia comecou bem cedo, com o sofrido acordar para um dia de viagem. Nao era longa desta vez, apenas 4 horas de autocarro numa estrada de ripio pela mitica Ruta 40, mas acordei, de facto, muito cedo! E como custa acordar antes do romper da manha - nota-se perfeitamente a diferenca de horas de sol diarias entre El Calafate e Ushuaia - numa tenda gelada depois de muitos dias mal dormido! Apesar de esta noite ter sido fantastica quando comparada com a anterior, o corpo (mais as costas) acusam a ausencia de esteira e reclamam umas horas de sono suplementar por isso...
Mas ainda assim, la arrumamos a tenda e carregamos as costas as pesadissimas mochilas. De facto, nao faco ideia do peso com que a minha mochila estava, mas aqui apercebi-me que tinha exagerado na comida que tinha comprado: a mochila estava mesmo muitissimo pesada!
Com apenas 15 minutos de atraso partimos em direccao a El Chalten pela Ruta 40. Nao consegui ver muito, pois dessas 4 horas, exceptuando os 15 minutos de paragem a meio da viagem, acho que devo ter estado acordado, no maximo, meia hora. Foi uma continuacao da curta noite a bordo do autocarro que de bom estado tinha muito pouco atraves da Ruta 40, o que equivale a dizer que e uma estrada de ripio no meio de um deserto. De mitico nao lhe achei muito, a nao ser a dificuldade que poderia representar para quem a fosse percorrer mas nem assim deixei de trazer comigo um "recuerdo dela": aquando da paragem para descanso (para mim, descanso do sono...) dos passageiros o motor do autocarro nao queria voltar a trabalhar e nessa altura vi que a bagageira do minibus nao vedava o po. Quando cheguei a El Chalten tinha a mochila completamente castanha por fora e com bastante po por dentro. Enfim, apenas um "recuerdo" da Ruta 40!


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El Chalten parece uma localidade retirada directamente de um filme. Com apenas 300 habitantes - e dificil imaginar a dimensao de uma localidade pelo numero de habitantes, mas acreditem que e minuscula - e apelidada de "capital nacional do trekking", esta ja situada dentro do Parque Nacional Los Glaciares (na sua zona Norte) e vive aos pes de um autentico templo para os alpinistas de todo o mundo: o Fitz Roy. Assim que cheguei verifiquei algumas coisas que dizem algo da dimensao desta povoacao: nao ha uma unica estrada pavimentada, nao ha bancos e por isso nao ha caixas automaticas nem dinheiro para ninguem quando se acabar, nao ha rede de telemovel e ha apenas uma cabine telfonica publica. Por outro lado, prometia belos dias de trekking e quem sabe mais alguma actividade...


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Alojados no Hostel Arco-Iris, procuramos rapidamente conhecer o lugar onde estavamos e a zona do parque que nos era acessivel. Marcamos nessa altura uma actividade para o dia seguinte que me deixou bastante entusiasmado: iriamos com um guia da Patagonia Montaineering, muito longe das excursoes turisticas, fazer trekking em cima do glaciar Torre e quem sabe ate poderiamos experimentar a escalada no gelo! No entanto, a jornada previa-se longa e dura, com uma duracao estimada de 12 horas e mais de 25 kms percorridos. O suficiente para nao me deitar nada tarde.

Quinta-feira, Março 03, 2005

Dia 11: O glaciar Perito Moreno

Atrasado, de manha cedo e muito mal dormido, la acordei para ir visitar o grande e afamado glaciar Perito Moreno. Como e natural, as expectativas que tinha eram elevadissimas.
Ja dentro do autocarro que esperou por mim fui lendo informacoes acerca do glaciar ao mesmo tempo que confraternizava com mais uns amigos de ocasiao: um casal de espanhois de Bilbao, quase com idade para serem meus avos, que conheciam muito bem Portugal. Rapidamente passou a hora e meia que levamos para percorrer os 80 kms de estrada de ripio ate a entrada do parque. Ate la a simpatica guia explicava o que iamos encontrar, bem como nos dava algumas indicacoes da flora e da fauna da regiao. E mais me elevou as expectativas o facto de saber que o glaciar avanca todos os dias 40 cm nas suas faces e constatar o magnifico dia de sol que estava: seguramente iria ver os reflexos azuis do glaciar!


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Depois de uma hora e meia de pausada caminhada nas margens de uma lagoa inacreditavelmente verde-esmeralda, esbarrei com um monstro branco no horizonte: era o Perito Moreno! Uau! Eu pensava que era fantastico, mas assim tanto... nao conseguiria imaginar!


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A sua grandiosidade, os tons de azul - do turquesa a azul forte passando por azul-bebe e mais uma infinidade de tons que nunca conseguirei explicar - que constrastavam com o outro azul em "degrade" do ceu e com o verde-esmeralda intenso deixou-me a sentir que tudo aquilo que tinha imaginado nao era nada comparado com o que se me deparava diante dos olhos! E como uma maravilha da natureza, tambem ele parecia ter vida prpria: ouviam-se enormes "rugidos" do seu interior, causados pelos sucessivos desprendimentos de blocos de gelo que esbarravam no espelho verde da lagoa. Ainda durante a caminhada explicaram-me que o Perito Moreno chega a atingir 70 m de altura e 150 m submersos, que o Pacifico fica a escassos 60 kms dali e que ha menos de um ano atras se deu um gigantesco colapso da parede frontal desvido as pressoes acumuladas, servindo de motivo para encher is postais de todas as lojas da aldeia que acolhe a maioria dos seus visitantes e deve o seu nome a um fruto: El Calafate. Chegados as varandas que priveligiam a vista desta autentica naravilha da natureza, percorremos os 1500 m de "passarelas" boquiabertos com a grandiosidade do glaciar e, principalmente, com a graciosidade dos seus relfexos coloridos enquanto esperavamos por mais um gigantesco desprendimento de gelo.


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E, de facto, inexplicavel a beleza do Perito Moreno. E na tentativa de nao desperdicar nada deste magnifico dia, passeamos na lagoa a bordo de um catamaran que se aproximou do gigante branco e nos permitia observa-lo "de igual para igual" - um barco ao pe do glaciar parece uma miniatura! E enquanto brincavamos com o facto de a bordo do catamaran servirem whisky com gelo do glaciar, observamos um gigantesco desprendimento: algo de uma dimensao inexplicavel que, ao embater na agua, causou uma onda gigante, que fez com que o catamaran tivesse que, o mais rapidamente possivel, virar-se e afastar-se com toda a velocidade e o mais que pudesse do glaciar, sob pena da instabilidade sentida a bordo ser muito grande. No lugar onde existiu o bloco que agora flutuava como um gigantesco iceberg, o Perito Moreno mostrava todo o seu esplendor ao reflectir azuis indescritiveis - e, infelizmente, impossiveis de passar para a objectiva da minha maquina fotografica - deixando-nos uma imensa vontade de aqui voltar.


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De volta a El Calafate, foi altura de decidirmos que no dia seguinte iriamos ate El Chalten, pois as poucas e contaditorias informacoes que conseguimos obter de Torres del Paine nao nos asseguravam que valesse a pena ir ate Puerto Natales. A escassez de informacao acontece porque, segundo me explicaram, as relacoes entre as empresas turisticas da Patagonia argentina com as empresas da Patagonia chilena nao sao as melhores, o que faz com que apenas as agencias chilenas tenham acesso - apenas elas oferecem visitas a Torres del Paine com uma duracao superior a um dia - as informacoes. Por outro lado, os interesses envolvidos sao muitos e nao e muito conveniente sairem informacoes para o exterior menos abonatorias do estado do parque apos o incendio, sob pena de registar-se uma quebra ainda mais acentuada na ocupacao de albergues no parque.
Abastecidos de comida enlatada suficiente para alguns dias de acampamento, adormeci e fiquei bem melhor desta vez. Contudo, o autocarro para El Chalten era as 8h00 e era necessario estar na rodoviaria, com 15 minutos de antecedencia, com a tenda e as mochilas as costas...

Dia 10: Adeus Tierra del Fuego

O dia de hoje resumiu-se a uma despedida bem nostalgica da Tierra del Fuego. Um despertar bem cedo de forma a cumprir o madrugador horario de check-out da pousada Amanecer de la Bahia e a tentativa falhada de fazer algumas compras - nada mais do que uma lembranca de Ushuaia - de ultima hora. Mas por outro lado, se a tentativa de levar comigo um objecto que me lembrasse os magnificos dias que passei neste lugar saiu furada, acabei por disfrutar dos ultimos momentos na companhia do Miguel. Pelo menos por enquanto, pois entusiasma-me a ideia de o voltar a encontrar no Chile, em Torres del Paine. Segundo as ultimas noticias, o incendio que me fez chegar a desistir de umas das principais atraccoes deste continente parece ter cessado devido a chuva que se tem feito sentir no local. Se a noticia se confirmar, tanto melhor, e se voltar a encontrar o Miguel, entao era "ouro sobre azul". A ver vamos...


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E com tres horas de atraso, la partiu o voo das Aerolineas Argentinas - companhia que (ironicamente ou nao) publicita que 96% dos seus voos cumpre horarios, o que me fez pensar que tive um azar tremendo - em direccao a El Calafate, a proxima etapa daquela que esta a ser, provavelmente, a viagem mais marcante da minha vida. Ainda o aviao nao tinha descolado ja eu adormecera de novo - aproveitei as tres horas de atraso para dormir no aeroporto um pouco daquilo que nao durmi nestes dias - a olhar para o simpatico velhote alemao que estava sentado ao meu lado e me chamou a atencao pelo material fotografico que trazia na mao. Fiquei com vontade de falar com ele, mas o cansaco nao me deixou e so o solavanco do McDonnald Douglas ao aterrar no aeroporto de El Calafate me despertou do meu profundo sono. E foi nessa altura que travei conhecimento com o senhor, que ja tinha percorrido meio mundo atras de uma paixao que tem em comum comigo: a fotografia. Tive pena de nao ter tido tempo para que ele, com a sua amabilidade me mostrasse mais algumas das suas magnificas fotos, mas era hora de me encontrar com o Vasco que havia chegado ha momentos de Buenos Aires. Juntos compramos os "tickets" do "colectivo" que nos levou ate El Calafate enquanto despejavamos as "ultimas" sob um magnifico dia de sol em que nao se via uma nuvem no horizonte. Duarnte a viagem, e de "superguia" em punho decidimos que iamos, como primeira escolha, tentar acampar nalgum dos campings ali existentes. O centro da simpatica, arrumada e surpreendentemente moderna aldeia (cerca de um decimo da dimensao de Montemor) ficava ali mesmo ao lado do Camping Los Dos Pinos. Na recepcao infoprmamo-nos das formas de visitar o Parque Nacional Los Glaciares em geral e o glaciar Perito Moreno em particular, das formas de transporte ate la e dos precos das viagens para El Chalten e Puerto Natales (nao sabiamos ao certo para onde iriamos dali). Verificamos que, dado o glaciar Perito Moreno ser o ex-libris de toda a Patagonia argentina, todas as visitas a zona sul do parque, onde o glaciar oferece melhores lugares para ser visto, eram bastante turisticas. Procuramos por alternativas mas nenhuma nos pareceu apelativa e acabamos por nos inscrevermos para a visita do dia seguinte que, para mal do nosso cansaco, comecava as 8h15.
Montada a tenda, foi altura de irmos jantar uma optima "parillada" e de recolher ao acampamento para uma noite (muito mal) passada entre o bater de dentes com frio e o arrependimento por ter optado por passar ali a noite...